“Era uma vez no Alqueva” por Andreia Dias

 

Andreia Dias conhece o projeto de reintrodução da águia pesqueira desde os primórdios. Conheça aqui, na primeira pessoa, o percurso profissional desta entusiasta da natureza, que leva na bagagem um sonho concretizado e outro por concretizar.

 

 

A paixão assumida pela natureza…

Nos últimos anos, tenho-me dedicado ao estudo das aves de rapina, gosto que surgiu do contato com o último casal de águias-reais no Parque Nacional da Peneda-Gerês, onde fiz o meu estágio.

Sempre trabalhei em projetos de gestão e conservação da Natureza, nomeadamente: gestora de caça na União das Associações de Caça e Pesca do Parque Nacional da Peneda-Gerês; técnica do Projeto Life Natureza “Conservação de Populações Arborícolas de Águia de Bonelli em Portugal”; estudos de impacte ambiental em várias zonas do país e em projetos turísticos relacionados com fauna.

Colaboro em projetos de conservação da Natureza em Espanha e Portugal, que envolvam colocação de emissores em aves (ex.: quebra-ossos; abutres-pretos; águias de Bonelli; águias-reais; águias-imperiais; gaivotas de Audouin…).

Fiz o mestrado em “Gestão e Conservação da Natureza”.

 

 

O primeiro contacto com a águia-pesqueira…

Iniciei a colaboração no Projeto de Reintrodução da águia-pesqueira em 2010, participando na elaboração do documento descritor do projeto e do estudo de adequação que decidiu o Alqueva como o local de libertação das águias-pesqueiras.

Fui coordenadora executiva do projeto, tendo ultimamente diminuído a minha colaboração, devido à incompatibilidade com o doutoramento que desenvolvo na Universidade de Barcelona com águias de Bonelli.

2015 foi o quinto ano em que acompanhei a recolha das águias-pesqueiras na Finlândia. Todas as viagens tiveram aventuras extraordinárias e algum nervosismo. Sempre fui recebida pelo Professor Pertti Saurola e sua Esposa, como um familiar muito querido. Senti-me sempre em casa e não esquecerei os banhos de sauna e de lago. Também não posso esquecer a ansiedade da primeira vez que tive uma águia-pesqueira na mão… o P00, um macho que ficou órfão de mãe e que resgatámos do ninho. Foi um guincho muito especial que espero revê-lo um dia no Alqueva…

Recordo a inquietação do primeiro ano e a corrida em contra relógio para conseguirmos ter as instalações preparadas atempadamente para recebermos as primeiras aves. O pânico que senti quando me preparava para embarcar com 6 águias-pesqueiras e no aeroporto de Helsínquia me disseram tranquilamente “Lamentamos mas não pode viajar com as águias-pesqueiras, porque falta um documento, volte na segunda-feira (era um sábado…). Ou “Desculpe, mas não está autorizada a voar com “águias”. “Afinal está, o computador fez uma atualização!” , uff … e tudo se resolveu!!

Além de toda a aprendizagem que um projeto de reintrodução faculta, encontrei amigos e estabeleci contactos profissionais.

A técnica de reintrodução da águia-pesqueira, continua a ser utilizada noutros países devido ao sucesso comprovado. O projecto de reintrodução da águia-pesqueira em Portugal, recebeu a visita dos coordenadores dos projectos de reintrodução da águia-pesqueira no País Basco e na Suiça. Semelhantes ao “nosso” projeto, o País Basco iniciou as libertações em 2013 e fui consultora este ano, do projecto Suiço que também já tem as primeiras águias-pesqueiras em voo.

2013-07-16 14.45.43
Iniciei este projeto no Alqueva com 2 sonhos: poder observar águias-pesqueiras a nidificarem novamente na Costa Vicentina; e ver no Alqueva, águias-pesqueiras  reintroduzidas a nidificarem.

O primeiro foi concretizado este ano, espero que seja um bom agoiro para que o segundo seja cumprido…