Luís Palma – “A minha ligação ao Pandion haliaetus”

Luís Palma(2)Iniciei a carreira de biólogo em 1979 na Direção dos Serviços de Caça da ex-Direção Geral das Florestas, realizando estudos de campo sobre o lince ibérico, aves de rapina diurnas e javalis. Posteriormente, trabalhei no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e seguidamente como técnico superior na Universidade do Algarve onde, além das atividades de apoio técnico e científico às atividades académicas, desenvolvi e coordenei investigação multidisciplinar sobre a população arborícola de águia de Bonelli do sul de Portugal, sobre a qual viria a desenvolver a tese de doutoramento. Em paralelo, colaborei na avaliação da situação do lince (Programa Liberne) nas serras do sudoeste. Durante 2002 fui assistente técnico da IUCN na Reserva da Biosfera Bolama- Bijagós (Guiné Bissau) e entre 2006 e 2011 coordenei um projeto LIFE-Natureza sobre a população arborícola de águia de Bonelli de Portugal.

Participei ativamente na criação de áreas protegidas em Portugal, nomeadamente a Reserva Natural da Serra da Malcata e o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, bem como diversas áreas da rede Natura 2000 do sul do país. Entre 2011 e 2015 fui o representante Português no Steering Committee do EURAPMON – Investigação e Monitorização para e com as Aves de Rapina na Europa, uma rede europeia de peritos em aves de rapina, patrocinada pela ESF, European Science Foundation.

Sou investigador do CIBIO desde 2009, onde tenho desenvolvido investigação sobretudo em ecologia, demografia e genética de diversas espécies de aves de rapina diurnas, nomeadamente a genética populacional da águia de Bonelli e a filogeografia e genética populacional das espécies paleárticas do género Buteo. Em 2012 participei no projeto CAJU sobre os impactos socio-económicos e ambientais da expansão da produção do cajú na Guiné Bissau. Publiquei 30 artigos científicos dos quais 17 em revistas internacionais.

A minha ligação ao Pandion haliaetus (guincho ou “águia-pesqueira”) começou com o estudo da população nidificante residual do litoral português, desde a sua descoberta em 1978 até à sua extinção em 2002. Fora de Portugal, organizei e coordenei o levantamento da situação populacional desta espécie em Cabo Verde entre 1998 e 2001. E em 1999 participei numa primeira tentativa de pôr em marcha um projeto de reintrodução da espécie em Portugal que só presentemente pôde ser retomado.

Os meus interesses atuais continuam centrados na investigação sobre as aves de rapina em Portugal, incluindo a expansão da população arborícola de águia de Bonelli, a reintrodução e recuperação do guincho no país e a monitorização da recuperação da águia imperial. Entretanto, estou envolvido no apoio à conservação da biodiversidade em Cabo Verde, em projectos sobre o abutre do Egito (Neophron percnopterus), o guincho ou a investigação/conservação da biodiversidade costeira.

Luís Palma,
Investigador no CIBIO-inBIO- Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, Universidade do Porto